Sobre lobisomens

Dizem que os poetas, assim como os lobos, se cheiram. Foi numa noite fria de névoa e sombras que conheci Adão, um iniciado nos mistérios da matéria bruta, no refinado processo que deflora a noite e na sublimação secreta das coisas. Naquela madrugada insone e sem aparente fim eu senti frio e rente às unhas seu íntimo parentesco com as coisas da terra, sua ânsia quase lupercal em vagar pelos lugares e por entre as gentes. Ainda hoje posso ouvir sua peregrinação noturna. Imaginação correndo os sete adros de igreja, as sete partidas do mundo, sete vilarejos encastelados, sete outeiros e sete encruzilhadas. Espojado, feito bicho, buscando nas letras seu fado. Na palavra, sua redenção. Ele sabe: a linguagem queima mais que bala de prata.

®Felipe Damo

0 Replies to “Sobre lobisomens”

  1. Mas bah, tchê!
    Assim eu viro mocinha, faço chapinha no meu pêlo e em vez de uivar, canto um bolero!
    Hehehe…
    Meu, reafirmo a frase feita, lugar comum barbaridade, mas sempre verdadeira: “welcome to the jungle!”.
    Pavimentemos a estrada, que a trilha entre missioneiros e Beneditos se fez por si!
    E, como diz a galáxia que nos une: “toquemo o baile!”…
    Grande abraço!

  2. Já tô ouvindo Gardel tocar… rsrsrs

    Fantástico!
    Adão é dessas pessoas que nos deixam sem jeito de tanto ser o que a gente é… Amo, amo, amo!!!

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