Constelações

(para Raul)

meu filho

o universo é vasto

amplo e grande

maior que teu abraço

e mais profundo

que esses teus olhinhos

de gemas cintilantes

 

 

as cem mil estrelas

e todos os planetas

satélites e cometas

a milhões de anos-luz

brilham mais que teu sorriso

 

 

este céu estival

guarda mais segredos

que a desordem íntima

do teu quarto de criança

 

 

lá fora

no universo

meu filho

há tantos nomes mais belos

e mais fortes que o teu

 

 

mas assim

tão pequeno

eu te venero

 

 

pedaço de mim

solto no espaço

minha ilusão futurista

dos filmes do passado

minha viagem cósmica

de raios e espaçonaves

meu vácuo

meu tudo

 

 

teu dedo que aponta

o céu infinito

pra mim um vazio

pra ti mais um brinquedo

 

 

estrela da manhã

brilha pequena

quando amanhece o teu dia

 

 

despertam os corpos celestes

que te cortejam

e um a um

te beijam

num desfile singular

deste universo que guardei pra ti.

 

0 Replies to “Constelações”

  1. Genial, Felipe! Fazia tempo que eu não dava um mergulho por aqui. Destaco:

    “olhinhos de gemas cintilantes” emprestando ao poema uma sutileza que se mantém até o fim devido aos elementos “astrológicos” incorporados ao longo do texto.

    Abraços!

  2. Camila Pimenta

    nossa!!!!

  3. Hélio Jorge

    Ser pai não é chegar em casa, sentar no sofá, colocar os pés em cima da mesa de centro e pedir uma lata cerveja bem gelada pro filhote.

    Ser pai é sentar no sofá, pedir pro filhote três latinhas bem geladas, uma porção de fritas, os chinelos e o jornal do dia! Rsss!

    Bricadeirinha!!!

    Ser pai é escrever um poema singelo e guapo pro filhote, como o que acabo de ler. É isso aí, Felipe Damo! Wow!

  4. é o bicho lambendo a cria, Helinho…rs

  5. ®

    Sou apaixonada pela sua sensibilidade.

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