Abriram os portões do hospício

Felipe Damo, especial para o blog Mundo 47 (http://mundo47.wordpress.com)

 

Sábado é um dia sempre repleto de possibilidades. Era o dia ideal para assistir ao show da Trupe Sonora Casa de Orates, uma mistura contemporânea de Mutantes, Secos e Molhados e Jethro Tull. Tudo bem, rotular não é legal, mas foi uma pista para tentar aproximar o leitor dos caras que encheram pela segunda vez o Teatro Municipal de Itajaí, que não é pequeno, e receberam os aplausos em pé de uma platéia diferente, mas bastante motivada.

 

Com um som mais pra mambembe medieval do que para rock psicodélico – quem discordar que vá ouvir Jefferson Airplane e depois a gente conversa – o show da Casa de Orates ganha pelo conjunto. É bem montado e dentro daquilo que a que se propõe, levar o espectador a uma viagem musical pelo mundo dos sonhos, os caras mandam bem. Usam com maestria os artifícios cenográficos, dentro de uma linguagem teatral que confere ao espetáculo uma noção de começo, meio e fim (???). Em resumo, dá pra se divertir numa boa além de ver algo no mínimo diferente do que se encontra aí pelo mainstream.

 

Mas, vamos falar das músicas, já que não se trata de um grupo teatral nem de uma companhia de ballet clássico. As letras são uma doideira que deixariam Syd Barrett com cara de careta. Pronto, falei. Contam histórias de sonhos, de viagens existenciais e de outras bizarrices. No meio da apresentação um deslize: rimaram “papel” com “léu”. Ô, pessoal, que coisa mais Sérgio Reis! Ele já usou essa rima lá na década de sessenta em Coração de Papel! Mas tudo bem, pula. Como diria meu amigo Flávio, “rima com rima, comi tua prima!”. Uma coisa interessante, durante o show você não sabe muito o que é música e o que é roteiro do espetáculo, os caras vão tocando, vão cantando, vão falando, e você vai sendo levado. Gostei disso.

 

Já as melodias podem ser conferidas no site da banda http://www.casadeorates.com.br , onde ainda é possível baixar os arquivos em mp3 e comprar o cd “O Artesão dos Sonhos”. O grande destaque e diferencial da banda no aspecto melodia é uma maldita flauta que fica tocando dentro da tua cabeça horas depois do show terminar. A combinação flauta com rock progressivo (argh, pros chatos progressivos!!) até que ficou legal. Foi usada na medida certa, sem abuso. No mais, foi um belo espetáculo. É sempre bom ver crianças, jovens e pessoas de mais idade curtindo música de verdade. Embora o show fosse gratuito, fiquei com aquela impressão de que não joguei fora o dinheiro do ingresso.

 

Em tempo: a abertura do show ficou por conta do cada-vez-mais-versátil-multi-artista-e-quase-super-herói Rafaelo de Góes e de Mano, o polegar cantor (mas também, quem vocês esperavam que fosse abrir a porta do manicômio, hein?)

 

0 Replies to “Abriram os portões do hospício”

  1. Hélio Jorge

    Que crônica/resenha(?) da peste, essa! Arretada toda vida! Vixemaria! Apesar de falar de hospício, é de uma lucidez…

    Quando a gente sabe que pode contar com um jornalista, poeta, cronista e um grande socialista como Felipe Damo, escrevendo pra pra nosso deleite, a gente fica orgulhoso de conhe-lo. E melhor, nós podemos falar essas coisas , tranquilamente, sem importuná-lo, pois ele sabe muito bem do que estamos a hablar.

    By the way, não fui ao show dos Orates, infelizmente, mas leiam esse review do Felipe, como se fosse a verdade cagada e cuspida do que realmente foi o show. O Damo sabedascoisas, gentem!

  2. nanda

    também gostei da resenha que, diferente das normais, nao é chata.
    é mais no espírito da música e revela uma ótica bem pessoal do show.

  3. Super resenha… super abertura… super show…
    Itajaí está tendo sendo o berço de grandes grupos culturais…
    bom pros “arteiros” e pra população que prestigia…

  4. opa, a primeira-dama apareceu deu o ar da graça no blog…vamos regular os comentários aí, povo!…rs

  5. hahaha… regular? q nada… ta super bem regulado esses comentarios…
    me divirto…

    Helinho é o rei dos comentarios nesse blog…

  6. Hélio Jorge

    Oh! You make me blushed, my dear! Thanks!

  7. a Pri veio botar ordem na casa…rs

    e sobre o Helinho, eu cheguei até a registrar um domínio no comentariosdehelinho.wordpress.com, mas no final achei mais divertido deixa-lo comentando por aqui…rs…para nosso deleite…

  8. Hélio Jorge

    Oh my gosh! I’m so blushed! Thanks people, thanks a lot! Whee-hah!

  9. Camila Pimenta

    Resenha/Critica interessante… fiquei curiosa agora de ir em um espetáculo deles (pelo que li aqui, é um espetáculo)… já ouvi falarem deles… e me disseram que era apenas diferente… bom entrei no site Trupe Sonora – Casa de Orates e estou nesse momento ouvindo o som… curti… e li que vai ter show deles dia 1º de maio no café… lá poderei ouvir e ver se tudo é possível… como disse seu Hélio Jorge… “O Damo sabedascoisas, gentem!”

    by…

    p.s: Realmente, a flaute penetra na mente e fica na memória auditiva… possuída…

  10. You don’t need to be shy Helinho!
    we love you! rs…

    e eu vim pra apavorar tb.. não sou muito boa em “por ordem na casa” beinzinho, cê sabe… rs…

  11. realmente o show foi muito bom. faz jus ao título: viagem ao onírico.
    a resenha do Felipe também não ficou por menos. como sempre, perfeito.
    acompanho a Casa de Orates há alguns anos, desde a época dos Briques
    que aconteciam na Casa Aberta, e sempre gostei muito. os caras já mudaram de formação e de som, também. mas a proposta de juntar música e concepção cênica sempre esteve presente. penso que o grande diferencial entre o tipo de som que fazem e as bandas progressivas é que o pessoal do Orates não abusa da duração das músicas. não tem aquele negócio de fazer uma música que muda de ritmo, vira uma jam, muda outra vez de ritmo, volta ao início (quando volta), entra numas viagens outra vez e, quando você vai ver, já está com 27 minutos.
    no mais, como disse a Camila, foi REALMENTE um espetáculo. no sentido literal da palavra. inclusive hoje, quando cheguei ao trabalho, comentei com o pessoal: assisti a um “espetáculo espetácular”, como há muito não acontecia.
    ah, sobre o público: realmente seleto e diferente. gostei muito de encontrar por lá um monte de gente legal que há muito tempo não via.

  12. Camila Pimenta

    Senhor Damo tem um blog que gostei muito, descobri a pouco… é de um amigo… o ultimo texto dele, me lembrou um pouco a temática que você usa bastante… “amor” dá uma lida… vale a pena…

    http://poupemeoguigui.blog.com/

    by

  13. não, não, eu não falo de amor, falo de uma inquietação muito parecida com isso…mas quem acha que é amor são vocês…bem, talvez as personagens também se enganem vez ou outra, mas eu não escrevo sobre amor… escrevo sobre solidão, ausência, desespero…mas não sobre amor…rs

    Vou dar uma olhada no blog do rapaz, Camila, depois eu te digo o que achei…

  14. sam

    …eles me creditam como “Samara Zukonski” but, no hard feelings =}

  15. Camila Pimenta

    Mas talvez… “solidão, ausência, desespero” são complementos do amor… por isso achamos que você escreve sobre isso… sem eles e outros as mais não resultaria no amor… sempre completamos o que vemos, ouvimos, lemos, enfim…. com aquilo que nos falta… bom vou parar, acho que ta ficando sem nexo… ou será que é pra ter?!

    by

  16. é… podemos sempre tentar nos expressar, mas não creio que as palavras tenham o dom de transmitir o que realmente sentimos… elas até tentam… mas cada um vai sentir as falavras da sua forma…

  17. Hélio Jorge

    Me amarro geral nesse blogpapocabeça, bicho!

  18. felipedamo

    Pois é…tá faltando o pessoal da banda para dar a versão deles…heehehe…olha o direito de defesa aí, gente!!!!

  19. Camila Pimenta

    Concordo Priscilla… acredito nisso… por isso minhas interpretações dos textos sempre tem a mesma conclusão…

    by…

  20. cara…
    isso lembra o Roger Chartier falando sobre leitura, quando o texto escrito chega ao leitor e sofre apropriação, ressignificação, reelaboração e por aí vai…

    como diz o Heliño: blogpapocabeça, bicho…

    tô gostando.

  21. Hélio Jorge

    Caro André, com a permissão do owner desse blog/fórum, gostaria de externa aqui minha opinião: um blog de verdade não se faz apenas de bons pensamentos e boas idéias, mas, e, sobretudo, de gente bonita e charmosa como nós que baixamos por aqui!

  22. a minha intenção inicial era proporcionar um ambiente onde as pessoas pudessem conversar sobre literatura e tal, mas fico feliz se desbancarmos o Sao Paulo Fashion Week…rs

  23. Camila Pimenta

    hahahahahahaha… G A R B O S O S… hahahahahahahha

    by

  24. “não, não, eu não falo de amor, falo de uma inquietação muito parecida com isso…”
    eu vou fingir que não li isso. vou só fingir.

  25. “mas, e, sobretudo, de gente bonita e charmosa como nós que baixamos por aqui!”
    Helinho, tu sabias que a Gloria Kalil comenta por aqui? Claro, disfarçada com um pseudônimo.

  26. Hélio Jorge

    Itajaí bombou, esse feriadão, gentem! Um luxo! Ah, e por falar em gentem charmosa e bonita…

    Segunda-feira, durante um comex&bebex, no apê de uma certa figura dax maix alta-rodax, uma fulana que, aliáx, ela estava pra lá de xic, usando um modelito da One-Naine-Naine que comprou na BigFair. A talzinha desfilava com um gato – um deus grego na verdade – a tiracolo. A moça arrasou na quantidade de botox! Uau!

    Por hoje é só, amanhã tem max, nêgax e nêgox!

  27. felipedamo

    olha o nível, olha o nível…rs

  28. Hélio Jorge

    Olha Felipe, tem gente usando o meu nome em vão, nesse blog, rapaz! Tomarei, a partir de hoje, além das minhas costumeiras vodkas, providências contra essa gentalha! Ora vejam só que ousadia, não é mesmo meu bom camarada?!

  29. achei um acinte sem precedentes, mas tudo bem…

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