um poema de amor

pensei que era eterno
aquele teu amor

mas até as árvores morrem
se não são derrubadas
por tempestades
ou mão de gente

até os peixes morrem
de velhos
ou de tristeza e solidão
no oceano azul e vasto

as montanhas também definham
durante milhões de anos
mas ainda assim
não são eternas

pensei que era eterno
aquele teu amor

eu queria que teu amor fosse nuvem

0 Replies to “um poema de amor”

  1. Camila Pimenta

    bom primeiro momento… mórbido… mas venho aqui pra dizer que me recuso a fazer o 100º comments do “Segunda-feira”… apesar da vontade… no mais, depois retorno para um comments mais elaborado “a cerca” – como diria Hélinho – do poema…

  2. Hélio Jorge

    O poema a principio parece uma armadilha. É, uma armadilha. Ele nos leva ao um pensamento e ao terminar no conduz a outro.

    A última frase, terminando o poema, além de uma figura solta sem compromisso (por isso a armadilha) tem vários significados além do explicito desejo de se contradizer do autor.

    De fato, o que me levou a pensar assim foi que, diante de tudo que possa se entender da representação das nuvens (que são de vários tipos) é que elas vão e voltam sempre de um jeito diferente. Como o amor por exemplo.

  3. helinho captou a “alma do poema” desta vez…hehehehe…como é bom ser compreendido…

  4. Enzo Potel

    e os coments acabam aqui.

  5. Hélio Jorge

    Até quando um poema decifrado ou mesmo entendido, consegue sobreviver ao tempo?

    O poema bom é mesmo aquele que nos remete a dúvidas, incertezas e improbabilidades?

  6. ah, pois é…

  7. Hélio Jorge

    Pois é Felipe Damo, valeu pela resposta elucidativa!

  8. Hélio Jorge

    Eu, particularmente, ainda não sei bem o que significa a poesia, assim tenho procurado uma explicação pausível acerca desse assunto. Então decidi pegar um trecho de um artigo que compartilho com o jornalista-poeta-cronista dono desse blog:

    “PARA QUE SERVEM OS POETAS? CONTEXTUALISMO E PRAGMATISMO
    Peter H. Hare
    State University of New York at Buffalo – USA
    [Tradução do inglês para o português: Henry Mallet]

    Resumo: William James disse a um poeta que “o poder de brincar com o pensamento e a linguagem” é “o mais divino dos dons”. Ele estava convencido de que o jogo de palavras (e.x. nos escritos de Benjamin Paul Blood) poderia, às vezes, tornar mais acessíveis realidades que, de outro modo, ser-nos-iam inacessíveis. No jogo jocoso das palavras movemos-nos livremente entre estruturas conceituais. Se alguém crê, como James, que conceitos, especialmente conceitos intelectuais, bloqueiam nossa percepção da realidade, então, quanto mais flexível for o uso que fazemos dos conceitos, melhor será nossa percepção da realidade (e.x. realidades modais). Como alunos de Harvard e posteriormente poetas da modernidade, os hoje famosos Gertrude Stein e Wallace Stevens, absorveram o pensamento de James. Significativamente, nenhum poeta é mais notável por sua brincadeira com as palavras do que Stein. A poesia de Stevens, proponho-me a demonstrar, brinca com teorias epistemológicas como estruturas metafóricas alternativas. A poética e poesia da “linguagem” pós-moderna de Charles Bernstein recentemente desenvolveram esta epistemologia poética de modo bastante radical. Possíveis ligações com a noção espantosa de C. S. Peirce da experiência
    matemática deverá também ser explorada.”

  9. Hélio Jorge

    “A cultura popular é o ópio dos intelectuais.” – Hélio Jorge Cordeiro

  10. nao consigo conceber uma cultura “popular”…uma cultura erudita e assim por diante…pra mim toda cultura é popular, assim como una e indivisível

  11. Hélio Jorge

    Discordo, plenamente, pois a palavra citada faz parte do conceito das diversas manigestações de um povo.

    Sendo assim, entendo como “cultura popular” toda e qualquer manisfestação espontânea das massas no que se refere suas raízes, tradições, princípios, costumes, etc.

  12. Hélio Jorge

    “Em terra de degolado chapeleiro morre de fome” – Hélio Jorge Cordeiro

  13. Hélio Jorge

    Só para relaxar os relaxados de espírito uma piadinha de comunista criada por um inglês idiota:

    “Um homem está irritado em uma fila de comida em Moscou diz para um amigo: “Chega! Vou matar esse Gorbachev!” e sai marchando determinado em direção ao Kremlin.

    Duas horas depois, o homem volta a fila. O amigo pergunta: “E aí? Acabou com ele?”.

    “Não. Lá tinha uma fila ainda maior que esta”.

  14. era a fila pra ver o acidente do romulo…heheh

  15. aliás, eu fiquei sabendo que El liño teve uma visão privilegiada do sinistro, eu gostaria até que ele pudesse expor aqui sua versão para o crash…

  16. Hélio Jorge

    Obrigado, meu caro Felipe.

    Senhoras e senhores, eu estou onde estão os acontecimentos! Descrevo os fatos como os fatos realmente acontecem. Exatamente na rua que leva o nome da nossa querida cidade Tijucas, que também é o nome do rio, e da floresta do Rio, o acidente aconteceu. Aglomeravam-se naquela via tão estreita quanto a mente do pessoal da TFP, dezenas de pessoas, rodeando um corpo caído no chão.

    O corpo era de uma jovem, tão graciosa quanto uma manhã orvalhada nas serras gaucha. Deitada ela estava no asfalto negro e quente. Dois para-médicos a socorria com uma presteza de fazer inveja aos cães São Bernardo no Alpes suíços. Gente valorosa nosso pessoal do não menos valoroso corpo de bombeiros.

    Comentários e disse me disse ecoavam ao redor do corpo da bela jovem, enquanto o causador de tamanha balbúrdia e desassossego estendia-se em pé, tal qual um monumento da Grécia antiga, não fosse o seu barato corte de cabelo e os óculos escuros meide in chaina. O dito indivíduo deixava-se fotografar tal qual um astro de roliude em dia de feira, na não menos movimentada santamônica bolevá. Eu, esse repórter que vos fala e escreve ao mesmo tempo em que toma um sorvete de carambola, o abordou discretamente:

    – Olá, tudobem?
    – Paulo Henrique?! Você por aqui?
    – Desculpe, mas eu não sou o Paulo Henrique.
    – Ah, não?
    – Não.

    O moço, virou-se me ignorando, voltando sua atenção para um bicheiro que apareceu para vender bilhetes de loteria e o diálogo eu reproduzo, pois foi de fazer qualquer um se emocionar:

    – Vai fazer uma fezinha hoje?

    – Tens aí, nêgo?

    – Cavalo, Macaco, Vaca…

    – Manda ver uma vaca, já que hoje eu atropelei…

    – É pra já.

    O agente da sorte tirou um bilhete de um molho de papéis, entre eles havia um carnê do IPTU, uma foto do Volnei abraçado com Jandir num churrasco na casa dos Luís Henrique e entregou o bilhete da vaca pro moço que pagou com um vale refeição.
    O moço voltou-se para o corpo que agora estava sendo removido para dentro do camburão. (Eu disse camburão?!), Desculpe! Para dentro da ambulância.

    Antes que a porta do veículo do socorro se fechasse, o moço piscou o olho para a enfermeira que havia prestado assistência a vitima.

    Eu insisti em continuar a entrevista, mas o moço se recusou e disse se quisesse eu teria que falar o seu empresário. Desisti, pois teria que voltar a clínica, urgente, já que os psiquiatras e os enfermeiros iriam sentir minha falta.

    A propósito, gente, é muito difícil correr amarrado numa camisa de força!

  17. Hélio Jorge

    Pessoal, quero dizer uma coisa que me deixou indignado: Há pouco, retiraram um trecho de meu relato acerca do acidente em que um nosso amigo se envolveu. Não sei se algum “raqui” entrou no blog de meu amigo Felipe e retirou-o. Vamos ver se agora esse trecho irá ao ar. Eu dizia:

    “Enquanto a turba se aglomerava ao redor do corpo da jovem manceba atropelada, iam se ouvindo coisas do arco da velha. A meu lado, dois velhinhos trocavam insultos numa discussão acirrada sobre futebol. Um deles esbravejava revoltado, dizendo:

    – Porcaria nenhuma! Não foi pênalti. O juiz roubou!

    – Qual nada! Foi sim, o ponta foi derrubado dentro da área, sim senhor!

    – Você e seu timeco!

    – Eu é que digo: você e o seu timequinho…

    O furdunço continuou acirrado. Só fui perceber do que se tratava, bem depois, quando um dos velhotes entrou num carro com o escudo do Barroso, aliás, do falecido Barroso.

    Eles estavam discutindo uma partida entre Marcílio e Barroso anos atrás! A conversa deles só foi encoberta, porque chegou do nada um sujeito alto, todo vestido de preto segurando um exemplar do livro sagrado gritando aos quatro ventos:

    – Aleluia, senhor! Aleluia!

    A massa se assustou com a surpreendente entrada do gajo a cena do crime (Eu disse crime?!) Meu deus! A cena do acidente. O sujeito continuou sem perder o fôlego:

    – Ela renasceu, irmãos! Aleluia! Nossa irmã renasceu pra cristo! Ela está viva! Ela está viva, irmãos! Isso é um milagre! Aleluia!

    Todos os presentes responderam inclusive eu:

    – Aleluia!

    O sujeito se ajoelhou e pediu que a massa presente que também o fizesse, ao que foi atendido de imediato.

    Uma mulher começou a se contorcer em agitados movimentos de quadril. Logo se percebeu que ela dançava a música do Creu! O homem viado do senhor (eu disse viado?!) desculpe, enviado!) logo colocou a mão sobre a cabeça da mulher possessa e ela começou a cantar “Let the Sunshine”.

    O povaréu começou a cantar junto! Alguém apareceu e colocou uma coroa de flores silvestres na cabeça do meu amigo responsável pelo acidente. Escutei ele comentar com o vigia do supermercado:

    – Porra! Logo agora que acabei de cortar os meus lindos cabelinhos! Poderia me tornar uma espécie de cristo e essa mina que acabei de derrubar… Digo, de atropelar se apaixonaria por mim! Veneraria-me qual a um santo!

    A massa continuou a cantar a música que imortalizou um dos maiores musicais da broadway de todos os tempos.

    O homem que segurava o livro sagrado aos poucos foi tirando a roupa preta que usava e ficou só de sunga (lilás!) Uma velhinha que ia passando em direção a matriz, jogou-lhe um camisolão típico dos anos 70 e ele o vestiu e se juntou a roda dos cantantes felizes.

    O pessoal cantando e dançando começou a subir nos carros estacionados ao longo da rua. Havia gente em cima até da ambulância, inclusive o meu amigo, que comandava o pessoal, abraçado com a sua vitima. Todos continuaram a alegria até a chegada do GOI. Os home tocaram todos pra suas casas e carros e acabou a movuca festiva. Foi então que eu decidi continuar a minha entrevista com o meu amigo e o resto da história vocês já sabem.

    Valeu gente!

  18. eu falei que dava uma boa historia!

  19. Hélio Jorge

    Pois é meu caro Felipe!

    Estou convencido de que, nunca na história dessa cidade houve tamanho fuzuê como de ontem na Rua Tijucas. Assim como na Rua Toneleros, nos idos dos anos 50, no atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, onde foi vítima o major Vaz, integrante de um grupo de oficiais da Aeronáutica que dava proteção ao jornalista, o avento de ontem, aqui em nossa “littlecity”, causou comoção na sociedade peixeira.

    Vieram jornalistas de tudo que é canto do país e do mundo, para cobrir os acontecimentos que ocorreram naquela via, que por pura ironia (lindo!) nos leva a todos que por ali passamos, direto a igreja mátriz da cidade.

    Entre os jornalistas estrangeiros que estavam presentes ao babado, destacava-se o super-mega-diretor Enzolys Dancing Withme, que quer- por que quer escrever um musical acerca do trágico evento, que, segundo ele, iria se chamar de:

    “Baita crash, nêga!”

    Não é mesmo uma gracinha, gentem?

  20. romulo nos deve um esclarecimento

  21. Hélio Jorge

    ô se deve!

    Mas mudando um pouco de assunto, meu caro Felipe, recebi hoje do pessoal da revista literária Rascunho uma dica que, por um lado me deixou feliz pois vou aparecer por lá que que puder, mas por outro, fiquei puto da vida por não ter grana pra abrir uma coisa assim aqui em Ita.

    Vejamos então: http://www.quintanacafe.com.br/

  22. Hélio Jorge

    Agora sou um blogueiro que nem “ostedes”! Mira só :http://cubacheiro.blogspot.com/ – es una coisita linda, no es?

  23. enzo quaker

    Operação Haicai prende sete escritores de Itajaí por lavagem de cadáver, desvio de dinheiro púbico e formação de quadrilha junina.

    A PF prendeu esta manhã os sete integrantes do caderno literário CLAP. Seba, Felipe Damo, Rafaelo, Rômulo Mafra, Deborah Barros, André Pinheiro e Daniel dos Santos foram pegos de surpresa pela equipe da polícia aproximadamente as seis da manhã desta sexta-feira.

  24. Hélio Jorge

    descupem, mas estou atendo em outro endereço!

  25. Hélio Jorge

    Poxa! Não consigo escrever corretamente “desculpem, mas estou atendendo em outro endereço!” Ah, talvez seja porque já não pertenço mais a este mundo! Eu fora um xupim de blog! Agora eu tenho o meu próprio! Consegui graças a um financiamento para blogs populares. Pagarei em leves prestações até 2030. Num é mesmo uma pechincha?

    No meu mais novo endereço, vocês podem aproveitar das mais belas paisagens, dos mais ricos ambientes, das mais calientes praias, das mais gostosas comidas, das mais sofisticadas bebidas, dos mais importantes filmes, das mais generosas prostitutas, travestis, deputados, senadores e juízes… Lugar democrático é assim, gentem!

    Façam uma visitinha, é free!

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