um salmão e três histórias

Barney Wilson

Para pagar o segundo ano da faculdade de geologia aceitou um emprego de meio-expediente em uma fazenda de criação de salmões onde é o responsável pela colocação de pigmentos químicos vermelhos na água dos peixes cujas carnes continuam esbranquiçadas pela ausência de astaxantina em águas protegidas.

 

Hiroshi Takaya

Queria ser japonês. É boliviano. Apostou em um nome com estilo. Virou um dos melhores sushimen do SoHo. Matou esquartejadas nove pessoas. Foi durante uma festa em seu loft. A faca cantou naquele dia. Foi até bonito. Ninguém sabe disso.

 

Giacomo Dalla’Antonia

Escreve todas as quintas uma coluna sobre restaurantes em um tabloidezinho B de um subúrbio novaiorquino. É muito lido, mesmo assim. Na noite de 18 de novembro de 2008 foi até um sushibar da moda e pediu um prato a base de salmão. O gosto estava diferente. Algo entre carne humana e corantes artificiais. Mas estava saboroso. No dia seguinte escreveu uma nota elogiando o tempero inovador do prato.

0 Replies to “um salmão e três histórias”

  1. A quarta história é a de:

    Ben Thebear.

    Ben era um urso que vivia na região entre o Alasca e o Canadá. Ele estava pescando salmões numa bela manhã ensolarada, quando foi atacado por uma gang que subia o rio. Dele, sobrou apenas sua pele marron-dourado, que foi encontrada a 9 mil quilômetros do local, numa loja de quinquilharias do judeu Polanski. Apenas uma testemunha decidiu abrir o bico: um pica-pau real que disse ter visto a horda que se denominava “The Brother Salmons, atacar sem piedade o pobre urso. O pássaro disse ainda, que o chefe deles, um salmonzinho chamado Paul Salmon, gritava: “I’m the king of the world!”, “I’m the king of the world!”

  2. A quinta história é a de:

    Samy Thesalmon.

    É a primeira vez que Samy retorna ao rio em que nasceu. Chegou atrasada. As águas do rio já escoaram de casa. Ficaram terra e móveis de má qualidade desmanchados. “Esse aqui” a avó aponta para o guarda-roupa “passou por 3 rios” “Não desmancha, porque é bom”. Samy nada pelas ruas então, carregando os tais preciosos ovos. Numa esquina do rio, Samy vê Ben Thebear. Tarde demais. Uma patada do urso joga o corpo prateado longe.TCHIBUM.

  3. Nossa, estou super curioso para saber se, Ben The bear, afinal, come Samy Thesalmon…

  4. Felipe, bom dia.

    Parabéns pela criatividade e perfeito entrelaçamento de seus mini-contos. Tenho acompanhado a expansão dessa forma literária e gosto muito do resultado.

    O poema ‘o amor em tempo de cheias’ também é excelente. Poucas palavras e muito simbolismo, principalmente se considerarmos que, em tempo de cheias, o amor vê reforçada uma de suas mais belas facetas: a solidariedade.

    Grande abraço!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.