Kerouac, Sean Penn e a Desobediência Civil

2009 mal começou e já tenho um favorito para minha lista de “melhor filme assistido no ano”. Tudo bem, tudo bem, escrevo sob o efeito latejante da produção, que é de 2007 e que só fui assistir agora. Mas vamos lá.

Sean Penn fez um filme do roteiro à direção. Um jovem larga tudo o que tem e vai ao Alaska viver sozinho no meio da natureza. No final ele morre. Este seria o resuminho mais negligenciado de Into the Wild, que na tradução brazuca ficou Na Natureza Selvagem. É uma história real. Ao menos baseada em fatos reais. Baseada no livro homônimo de John Krakauer, que conta a história de Chistopher McCandless, um jovem cheio de vida que decidiu largar uma carreira promissora, abandonar a família, queimar suas economias, largar o carro na estrada e virar andarilho até chegar ao gélido estado de Sarah Pallin para uma espécie de comunhão ou experiência interior com o mundo selvagem.

Olha, seria apenas mais um road-movie desses tantos maravilhosos que desfilam ultimamente por aí. Mas é uma história marcante. Sean Penn acertou a caneta. As imagens são lindas, o filme é cativante e a interpretação de Emile Hirsch como o andarilho é de fazer verter lágrimas. Sem falar na trilha sonora acústica encomendada sob medida a Eddie Vedder.

Influenciado por Henry David Thoreau – aquele da Desobediência Civil – Tolstoi, Jack London e outros, Chris roda os Estados Unidos, o México e o Canadá tentando encontrar o significado da felicidade. Assim como seus escritores, vai em busca do desconhecido, do selvagem, daquilo que ainda é puro e intocado. Chega a lembrar Kerouac em Lonesome Traveler, de bico em bico em busca de alguma iluminação espiritual que surgisse a partir da estrada percorrida. Como Kerouac mesmo fala, é “um apanhado geral da vida vivida por um vagabundo sem grana e educado de forma independente, indo a lugar algum”.

Into the Wild é um filme que merece ser visto, principalmente por aqueles que gostam de “garrar um mato”, de colocar uma mochila nas costas ou, simplesmente, estão entediados da mesa apática do escritório envidraçado.

0 Replies to “Kerouac, Sean Penn e a Desobediência Civil”

  1. eu vi esse filme só em novembro do ano passado também!
    fenomenal, muitas vezes me pego pensando sobre ele… como o Sean conseguiu fazer algo tão poético… e a atuação daquele garoto é fodaaaaa!
    sem dúvida… é um marco no cinema americano.

  2. Eu ainda não acredito que eu achei esse filme em uma locadora de Camboriú!
    Lento, mas Lindo!

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