O dia em que Kadaffi e um rebelde entraram em atrito no Rio de Janeiro

A história é cheia de detalhes tão pequenos de nós dois, e muito do que acontece de realmente útil e importante para a humanidade quase sempre passa desapercebido nas telas dos noticiários. Ainda mais quando as pequenas notícias têm que concorrer com a queda de um avião, um terremoto ou até mesmo com datas festivas como o Natal e o Reveillon. Sempre penso em quais eram as manchetes dos jornais no dia em que Thomas Edison ligou sua primeira lâmpada, ou no dia em que Pasteur, solitário em seu laboratório, atingiu a fervura necessária e mudou a história do mundo. Talvez as grandes descobertas da humanidade tenham passado batidas no momento em que aconteceram.

Foi assim neste último carnaval quando o ditador líbio com modelito carnavalesco Muamar Kadaffi entrou em atrito com um rebelde, pasmem, em plenas festividades no Rio de Janeiro. Pouca gente viu, pouco se falou, mas aconteceu.

Tudo começou em novembro, quando na condição de namorado sempre aberto a novas experiências resolvi aceitar o convite para ir pular o carnaval no Rio. O que a princípio seria apenas uma visita turística, no máximo uma passada pelas arquibancadas da Marquês de Sapucaí, logo se transformou em uma verdadeira odisséia pela folia na cidade maravilhosa. Com mais de 450 blocos de carnaval com os nomes mais criativos e engraçadinhos que já existiram a cidade é a perdição para quem a busca nestes dias de Momo.

Passagem comprada, fantasia no Salgueiro paga, lá fomos nós. Como diria Jobim, “dentro de mais um minuto estaremos no Galeão”. Mas o Rio de Janeiro em tempos de carnaval exige algumas precauções. Entre elas um lugar barato para a hospedagem e cuidados com a segurança. Nessa altura o leitor já deve estar pensando o que tudo isso tem a ver com o título do texto, mas eu informo que são justamente essas duas precauções que acabaram causando o famigerado encontro sugerido no cabeçalho.

Assim que chegamos em terras cariocas fomos abrigados na casa de primos na Tijuca. Com toda a cortesia nos deram um molho de chaves da casa, já que era carnaval e não se tinha hora pra chegar. Junto com as chaves um chaveiro um tanto inusitado trazia em lados opostos fotos do ditador líbio e algumas inscrições indecifráveis em árabe. “Tenho um amigo que foi pra Líbia e pediu o que eu queria de presente. Falei pra trazer algo do Kadaffi e ganhei o chaveiro”, explicou o primo.

Com o problema da hospedagem resolvido decidimos sair para curtir a cidade. Como medida de segurança levei uma pochete interna com os documentos e alguns trocados. E foi lá que mais tarde foi parar o chaveiro de Kadaffi, que ameaçado de cair do bolso em algum empurra-empurra nos blocos da Zona Sul, foi cuidadosamente abrigado em minha região pélvica, onde o ditador pode finalmente conhecer aquele que lá em casa é carinhosamente conhecido como “o rebelde”.

E assim, durante três dias de folia, quem diria, o líder líbio e o rebelde permaneceram em constante atrito, do Leblon a Copacabana, juntinhos, atravessando o deserto do Sahara…a la la ô…

0 Replies to “O dia em que Kadaffi e um rebelde entraram em atrito no Rio de Janeiro”

  1. Esse rebelde já deve ter sido um xiita, né não? Bons tempos aquele, né Pilipi? Quanto ao Kadaffi, bem, esse deve ser mesmo de arrancar os cabelos! Hehehehe!

  2. eu vou ir para rebelde aviáo com qer ser tudo cd ___rd]]

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