Crônicas da Copa – Sob o sol do Ceará

Huitzilopochtli, o deus da guerra do panteão asteca, deve ter passado a madrugada em vigília, zelando pela seleção mexicana. Seus meninos, na tarde quente de hoje, em Fortaleza, entraram em campo com a faca nos dentes e dispostos a definir a partida o mais cedo possível. Diante do jogo burocrático do selecionado dos Países Baixos, que insistia em esperar o jogo e apostar no rápido contra-ataque com Robben e Van Persie, a estratégia mexicana foi um colírio para os olhos futebolísticos.

A exemplo da ótima campanha que vem fazendo, o México mostrou um futebol constante e sem maiores sobressaltos. Dominou o primeiro tempo, levando perigo repetidas vezes à área adversária e sofreu apenas uma grande ameaça: o pênalti sofrido por Robben e não dado pelo juiz. Problema à vista. 

Enquanto isso o astro-rei castigava os jogadores e os torcedores, que já deixavam os assentos para se empoleirar nos corredores de acesso à arquibancada, onde em pé e à sombra assistiram ao restante da partida. O juiz deu três minutos de Cooling Break, a novidade da Copa que permitiu que os jogadores se refrescassem um pouco nessa cidade que, há setenta anos, a população chegou até mesmo a vaiar o sol em meio a uma grande seca. Os mexicanos já deviam estar se sentindo em meio ao deserto de Sonora, rezando a Nossa Senhora de Guadalupe por um sombrero. Já os laranjas praticamente derretiam em campo.

O segundo tempo começou com o México marcando já no início em uma bola bem colocada por Giovani dos Santos. O gol obrigou os neerlandeses a mudarem o jogo e saírem um pouco mais para buscar o resultado. Chegaram algumas vezes mas esbarravam no gigante Ochoa ou na trave mexicana. E os brasileiros começaram a entender melhor o sufoco que passaram diante do México na primeira fase da Copa.

Mas um Ochoa só não faz verão. Sneijder, apagado até então, acertou em cheio na sobra de um lançamento na área e o jogo começou a virar. Mais uma jogada e dessa vez o pênalti é marcado para os Países Baixos, que convertem a cobrança, já muito próximos do final de jogo. Não dava mais pro México. Robben e sua turma viram mais uma partida e mostram porque são o bicho-papão da Copa. Ao México sobrou encomendar aos mariachis aquela clássica canção de despedida…”ai, ai, ai, ai…está chegando a hora…”

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