Crônicas da Copa – Os Hermanos mostram que a vida não é fácil

A seleção argentina enfrentou na tarde de hoje o selecionado suíço no Itaquerão, em São Paulo. Além das piadas referentes ao Papa Francisco e à guarda suíça do Vaticano, o jogo mostrou que nessa Copa a vida não está fácil para ninguém. A Argentina, franca favorita, sofreu para vencer o time europeu, nos últimos minutos da prorrogação, com um gol inspirado de Di María após uma assistência primorosa de Lionel Messi. Depois disso a Suíça, nos descontos, ainda conseguiu a proeza de acertar a trave argentina naquele que podia ser o gol que levaria a partida aos penais. Fato que fez a imprensa argentina batizar a baliza de “palo de Diós”, com a devida licença de Sua Santidade.

Ainda não chegaram ao Brasil os índices de ataques cardíacos e calças trocadas pelos argentinos nesses últimos cinco minutos, mas o número deve ter sido assombroso ao contar pela emoção da partida. Se um brasileiro já estava com o coração na mão, imagina um porteño.

O mais estranho é toda essa situação ter sido criada a partir da Suíça, aquela seleçãozinha bem sem gosto, célebre pelo Verrou suisse, conhecido por aqui como ferrolho, o primeiro esquema ultra-defensivo retranqueiro da história do futebol. É fato que a Suíça neste ano veio diferente, mais aberta, toda engraçadinha. Mas hoje, com a Argentina, os helvéticos fecharam o jogo na marcação, truncaram as jogadas e, por falta de capacidade pessoal de seu elenco, deixaram de mandar os Hermanos para casa. Porque oportunidade não faltou.

Por falar de oportunidade, os Argentinos não as perderam. Também não perderam a chance de cantar que Maradona é melhor do que Pelé. Uma idiotice, é claro. Coisa que bêbado canta na arquibancada mas que não dá pra levar a sério.

Impressionante como Pelé e Neymar incomodam os argentinos. Volta e meia eles tocam no assunto. Não conseguem esquecer. É trauma dos grandes. Agora vir aqui provocar desse jeito é bem coisa de gentinha. Muito diferente da educação e elegância com a qual os habitantes de Buenos Aires me trataram todas as vezes que estive na Argentina. Fico pensando se nossa torcida também vai na Argentina cantar que temos cinco mundiais e eles apenas dois, um duvidoso e outro ganho com um gol de mão. Mas isso só mostra que em matéria de torcida, tanto a deles quanto a nossa não passaria das eliminatórias no quesito superação da mediocridade.

Quanto ao que aconteceu dentro das quatro linhas, guardo a mesma impressão que tive do jogo Brasil e Chile. O Brasil se classificou, mas moralmente perdeu a partida. Com a Argentina foi muito parecido. Os suíços, apesar de retranqueiros, podem ir pra casa de consciência tranquila pelo dever cumprido. Quem sabe na próxima Copa eles acertam mais a pontaria e passam para a fase seguinte.

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