Crônicas da Copa – Estatísticas de um jogo entre campeões

Alemanha e França em um jogo decisivo no Maracanã só mesmo em uma Copa do Mundo no Brasil. Talvez isso nunca mais aconteça. Quem viu o duelo, que é análogo ao Brasil e Argentina europeu, viu. Quem não viu vai ficar devendo. Benzema, Griezmann, Pogba, Matuidi e Valbuena de um lado. Ozil, Neuer, Schweinsteiger, Lahm, Müller e Klose de outro. Ah, amigo! Nunca mais.

E a França engrossou o grupo formado por Inglaterra, Itália, Espanha e Uruguai. Os campeões mundiais que terão que esperar mais quatro anos por mais um título. Os alemães fizeram um gol aos treze minutos – para deleite do velho Lobo – e ficou nisso. Um gol meio xoxo, é verdade. Bola parada, lançamento na área, o zagueiro coloca no travessão, ela resvala e entra. Depois disso a França atacou mais, chutou mais, finalizou mais. Mas não deu. A Alemanha montou um esquema sólido. Um bloco. Jogou fechada. Mais seguro que um bunker de guerra. Fez mais faltas. Levou os dois cartões amarelos do jogo. O juiz deu mais quatro minutos de acréscimo e fim. Essas foram as estatísticas.

Agora existe uma estatística que não aparece nos canais especializados e tampouco é destacada por comentaristas nas mesas redondas dos muitos tantos programas futebolísticos que existem nessa época:

O número de alemães que suspiraram cada vez que Klose chutou ao gol, esperando que o recorde de gols em Copa fosse batido. Quantos franceses tiveram uma síncope na última bola do jogo, quando Benzema obrigou Neuer a fazer sua derradeira defesa do jogo, aquela bola que podia mudar tudo. O sorriso no rosto do francesinho toda vez que Valbuena descia pela ponta, parecendo um carrinho desgovernado. Quantos copos de cerveja a torcida alemã tomou no calor do lindo Rio de Janeiro. Quantas lágrimas uma geração de franceses há de verter ao ver um time dessa amplitude ficar fora das semifinais. Quantos alemães nessa altura estão pensando em largar tudo, mudar totalmente de vida e vir morar no Brasil.

Esses são dados difíceis de aferir. Mas são dados reais que fazem parte da magia da Copa. Futebol é emoção, não é só estatística, técnica, esquema tático e gols. Por isso, Alemanha e França, mesmo com um solitário gol no Maracanã lotado, foi um espetáculo emocionante e inesquecível. Mas emoção também é um produto difícil de mensurar.

Só restam três campeãs na Copa e a Alemanha é a única delas já garantida na semifinal.

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